Um dia um jovem andando em um pasto verde a perder de vista no Horizonte, perguntou-se:
- Como devo fazer para que tenha a sorte de um dia possuir toda esta riqueza?
Caminhando naquele cenário lindo, vendo pássaros, flores campestres, pequenos frutos, e a briza a refrigerar seu corpo, com o aroma de mato misturado ao cheiro do gado, com aquele jeito que somente quem nestes lugares mora, pode entender.
E a mente deste garoto, não descansava na constante pergunta:
- Como devo fazer para que tenha a sorte de um dia possuir tamanha riqueza?
Viu algumas pedras no chão, e juntando-as começou a jogá-las ao longe, aos pequenos lagos que se faziam naquela imensidão. Quando ao modo do sem pensar, colocou algumas destas pedras em seu borneu.
- Vou pra casa. Pensou ainda Ele.
No caminho, já quase ao entardecer, no horizonte um laranja escuro, ainda brilhava bem no cantinho do céu. Sua chegada em meio a currais, os peões e a boiada, cavalos, cachorros, uma nuvem de poeira, barro respingava.
As galinhas então! Empoleiravam nas árvores, nas casas, nos celeiros. Algumas das casas da fazenda, já acenavam com caminhos ao céu, estradas de nuvens assim fumaça, assim névoa. Os fogões começavam e queimar a lenha. E assovios, latidos, barulhos das cigarras, e das fivelas, misturavam num dos sentidos sussurros da audição.
E a caminho de casa, algo o parou. O Pegou às costas, por sentimento, e o fez ser conduzido para falar com o Mestre ancião, que pitava algumas folhas de fumo curtidas pelo tempo a charque idêntico, para exalar sabor. Aroma inigualável.
A cadeira do Mestre, se fazia presente, ao solo ardente vegetal , em sonido que lembra balanço.
- Menino travesso, vem com Seu Véio. - Senta aqui um pouco.- Vamos encerrar este momento com prosa. - Me diga menino, por onde andava? - Sinto que estas calado. O que sente?
Disse Ele:
- Sabe Sinhô Francisco, queria muito um dia sê dono disso tudo. Queria tê meu gado. Esse lindo campo. Meus Homi, minha casa. Como faço para que tenha sorte?
O Mestre levantou e foi lá dentro de sua humilde casa, e pegou em cima do seu criado, uma pedra redonda e bem pretinha. Voltou, sentou na cadeira, e olhando no Horizonte disse ao Menino:
- Sabe...!? Um dia Você será dono de tudo isto. Eu tenho a sua sorte aqui comigo. O que tens no seu borneu?
O garoto, meio confuso, pegou o borneu e retirou as pedras que tinha guardado. Todas as pedras eram de sílica marrom arredondadas. Meio tipo sabendo , o Mestre pediu que ele as colocasse espalhadas no chão de madeira da casa.
Tendo o feito, o Mestre então colocou a sua pedra preta redonda junto com as demais, e disse ao Menino:
- Observe estas pedras. De todas elas somente esta Pedra Preta é você. Hoje te dou ela, pois esta pedra eu a guardava para dar àquele que desejasse ter a maior riqueza deste mundo, onde vivemos.
- Sabia que um dia, alguém me falaria a palavra mágica.
O garoto ficou com os olhos cheio d´água.
E o mestre ainda complementou:
- Guarde-a em lugar seguro, e acredite que ela sempre lhe trará sorte. Este é seu primeiro patrimônio. Nunca venda, nunca dê a ninguém. Ela te trará sorte e o fará um homem muito rico.
O garoto saiu dali correndo, e acreditou piamente que sua sorte havia chegado.
E começou a pensar sempre como fazer, e planejar, e sua pedra ali, pertinho. E começou vendendo limão, ajudando na lida por trocados, e na carroça todos do dias que terminava a lida, e iam fazer entrega de leite para vender seus produtos na venda da cidade.
O Tempo passou, e a riqueza realmente chegou na vida daquele muleque. Alguém rompeu a porta de seu gabinete, e disse que o Mestre, o Velho Francisco, estava doente e em dias de morte.
Desesperado largou tudo e foi ver seu Mestre. De joelhos, com os olhos cheio de água, beijou a mão de seu Mestre e disse-lhe:
- Meu Veio Chico, Eu vim aqui para te dizer que venci. Obrigado por ter me dado a Pedra Preta da Sorte.
O velho sorrindo, sofrido, pausadamente falando, disse:
- A Sorte, Meu Filho está naquilo que Você acredita. Sua vontade faria qualquer pedra ser a pedra da Sorte. A única coisa que queria te dizer, é que de todas as pedras, Você, a sua, é diferente.
O Homem, que até ali era o garoto, meio confuso ainda, assim perguntou:
- Não era a pedra? Ela não é diferente? Não foi ela, minha pedra de sorte?
Murmurou o Velho:
- Não meu Filho. Você é a própria essência da Sorte. Você é uma vontade. A pedra, foi uma referencia, para que tranquilizasse sua ansiosidade. Criasse em ti uma zona de conforto. E que fizesse Você buscar com coragem, tudo aquilo que está dentro de Você. Acreditando nisto, Você construiu um Império. Pedra por pedra. Tenha paz. Seu Velho já cumpriu sua missão.
Bem, assim Eu creio, quando alguém acredita em ..., bem, ..... deixá pra lá.
Ir. Richard Maia SGMG/GOU

Nenhum comentário:
Postar um comentário