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30 abril 2016

Homem Macaco


Eu estava de passagem pela Universidade de Fordhan, Nova York. Meu colega jesuíta americano, ao saber que eu gostava de escrever estorinhas leves para jovens, propôs um passeio a Long Island, onde veria alguma coisa sensacional, inesperada e até nunca sonhada por ninguém... Fez-me entrar no carro e saímos...

De fato, o que vi neste passeio é um caso único. Uma fábrica de sapatos projetada só para deficientes físicos. Todas as máquinas foram desenvolvidas pelo proprietário da empresa, Mister Henry Viscardi. Lá se viam máquinas acionadas só por um toco de braço, outras só pelos pés ou alguma perna atrofiada. Havia uma, a que mais me comoveu, manipulada pela boca de um operário tetraplégico!

Henry Viscardi, o dono e criador dessa maravilha de amor, era também deficiente físico. Nascera com as pernas atrofiadas do joelho para baixo e tinha apenas um esboço de pés. Quando criança andava com as mãos, segurando dois tocos de madeira, calçados com borracha de pneu. Esse seu modo de andar lhe valeu o apelido de "homem macaco", dado pelos meninos da escola. Cada vez que o chamavam assim, ele saía, pulando com seus tocos de madeira, para ir chorar junto da professora.

Um dia, esta resolveu dar-lhe uma sacudidela moral, dizendo:-- Você pode pôr um fim a tudo isso se quiser! É um garoto muito inteligente e pode ser o primeiro da classe. Quando tal acontecer, todos irão respeitá-lo.

Foi dito e feito. Passou a enfrentar aquela situação (ver-se chamado de "homem macaco") sem lágrimas nem agressividade. Mas, sobretudo, começou a caprichar nos estudos, em pouco tempo estava em primeiro lugar! Acabou-se a zombaria. Ele terminou o primário e o colegial.Entrou para a faculdade e formou-se em engenharia. Casou-se e teve quatro filhas! Abriu uma indústria de sapatos e, em poucos anos, acumulou uma imensa fortuna!

Um dia, no seu carrão milionário, adaptado por ele próprio para ser controlado inteiramente com as mãos, viu um deficiente físico arrastando-se pelas ruas de Nova York. Aquilo doeu-lhe e lhe sugeriu uma grande ideia. Começou a planejar máquinas especiais para deficientes. Foram meses e meses de trabalho, debruçado sobre as pranchetas. ..

E a fábrica saiu do papel. Lá estava eu percorrendo seus pavilhões, saudado por dezenas e dezenas de sorrisos de deficientes... mas não havia deficiência alguma naqueles sorrisos, porque vinham de homens e mulheres muito felizes.

Henry Viscardi é um grande católico, mas sua fábrica, que leva o nome tão bem empregado de "Abilities" (Habilidade), tem emprego para todas as religiões e todos se amam com o mesmo sorriso de felicidade!"Eu que conheci bem o sofrimento aprendi a socorrer os que sofrem", diz Henry.

Há muitas pessoas sofredoras que, talvez, encontrassem paz e felicidades se procurassem ajudar alguém que sofre tanto ou mais do que elas. Esta é a lição maravilhosa, inesquecível do milionário deficiente físico que, do alto dos seus milhões de dólares, debruçou-se sobre outros deficientes e os ajudou a encontrar o seu lugar na vida. 



A Lição do "Homem macaco"!



[Autor desconhecido]

29 abril 2016

Anjos Guardiões.



O menino voltou-se para a mãe e perguntou:

- Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum.

Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas, até encontrar um anjo.

- É uma boa idéia, falou a mãe. Irei com você.

- Mas você anda muito devagar, argumentou o garoto. Você tem um pé aleijado.

A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito mais depressa do que ele pensava. Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe mancando, seguindo atrás. De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa, puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em veludos e sedas, com plumas brancas nos cabelos escuros. As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à senhora:

- Você é um anjo?

Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e tossiu bastante. Então, chegou sua mãe que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão azul.

- Ela não era um anjo, não é, mamãe?

- Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um, respondeu a mãe.

Mais adiante uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou:

- Você é um anjo?

Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:

- Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo!

Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado chegando. Mais do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e caiu.

- Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho! Disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado.

O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe e lhe enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, não era um anjo. O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado.

- Você me carrega?

- É claro, disse a mãe. Foi para isso que eu vim.

Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava. Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou:

- Mãe, você não é um anjo?

A mãe sorriu e falou mansinho:

- Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o meu...



[Autor desconhecido]



NOTA: Anjos são todos os que na Terra se tornam guardiões dos seus amores. São mães, pais, filhos, irmãos que renunciam a si próprios, a suas vidas em benefício dos que amam. Às vezes, podem estar do nosso lado e não percebemos.

28 abril 2016

O Significado da Acácia



Como sabemos, os judeus sofreram forte influência dos egípcios durante o tempo em que estiveram naquele território. Assim, muitos traços culturais, sociais e religiosos do Egito Antigo foram incorporados pelos judeus. Como exemplos, podemos citar a lenda de Anúbis, filho ilegítimo jogado no rio e posteriormente encontrado por uma rainha que o cria, e a lenda da arca do dilúvio, as quais foram recontadas pelos judeus e tiveram seus protagonistas rebatizados com nomes judaicos: Moisés e Noé.

O mesmo se deveu com a acácia, árvore sagrada dos egípcios e adotada pelos judeus. A acácia era matéria-prima para a produção de artigos sagrados no Egito, adotada pela sua alta densidade e durabilidade, não sofrendo ataque de insetos. Sua goma (conhecida popularmente como “goma arábica”) era utilizada nas cerimônias sagradas de mumificação.

Parece que os judeus aprenderam essa lição, pois a acácia foi a madeira indicada para a construção de todos os importantes objetos sagrados, como no tabernáculo, nos altares, e na arca da aliança. O fato de seu uso estar mais concentrado no “Êxodo” e aos poucos ser substituido pelo cedro e cipreste, confirma essa teoria da influência egípcia.

Até aí tudo bem, mas de onde sairia a inspiração para relacionar a acácia com a lenda de Hiram Abiff? Basta recorrermos a uma das principais lendas egípcias: a lenda de Osíris.

Seth odiava Osíris, que era tido como sábio e poderoso, então resolveu matá-lo. Ele fez um belo caixão com as exatas medidas de Osíris e convidou as pessoas para um jogo: aquele que se encaixasse perfeitamente no caixão, ganharia o mesmo de presente. Logicamente, quando a vez de Osíris chegou, o caixão era perfeito, e Seth e seus cúmplices trancaram Osíris dentro do caixão e o jogaram no rio. Sua mulher, Ísis, o procurou por muitos dias. O caixão havia encalhado e sobre ele havia brotado uma… acácia. A acácia serviu de indicação para que Ísis encontrasse o corpo de Osíris. Por essa lenda, Osíris é considerado o deus da morte e da imortalidade da alma.

Um corpo sob uma acácia e os ensinamentos sobre a morte e a imortalidade da alma soam familiar?

Daí a atribuir à acácia também o significado de segurança, clareza, inocência e pureza, como alguns autores querem, é forçar demais. Deixemos para a acácia sua bela missão de simbolizar a vida após a morte, assim como herdamos dos egípcios. Isso já é o bastante para um único símbolo.

TFA/PP Ir.´. Daniel Martina FRC

27 abril 2016

O Empurrão.


A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho.

Seu coração se acelerou com emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.

- Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? - Pensou ela.

O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso. Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes. E se justamente agora isto não funcionar?

Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento. Sua missão estava prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final o empurrão.

A águia encheu-se de coragem. Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas não haverá propósito para a sua vida.Enquanto eles não aprenderem a voar não compreenderão o privilégio que é nascer águia. O empurrão era o melhor presente que ela podia oferecer-lhes. Era seu supremo ato de amor.

Então, um a um, ela os precipitou para o abismo. E eles voaram!



[Autor desconhecido]


Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia.

São elas que nos empurram para o abismo.

E quem sabe não são elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.

26 abril 2016

Magia Infantil


Linda era chinesa e morava no Havaí. Contrariando o pai, que desejava vê-la casada com alguém dos clãs chineses, ela foi para a Califórnia. Entrou para a universidade, apaixonou-se por um americano branco, de olhos azuis e com ele se casou. Uma cerimônia simples, bem ao contrário das festas pomposas, no estilo dos casamentos tradicionais, como esperava seu pai.

Depois do casamento, um silêncio pesado se fez entre pai e filha. Ele não a visitava, ela também não. Quando a mãe telefonava, o pai nunca pedia para falar com a filha. Por todas estas atitudes do pai, Linda entendia que ele estava desaprovando tudo o que ela fizera. Ela traíra todos os princípios.

Contudo, Linda se lembrava da infância feliz, no Havaí. Lembrava-se de, aos 3 anos, ser a sombra do pai. Correr atrás dele entre as bananeiras. E, quando ela cansava, o pai a colocava nos ombros. Dali de cima ela podia ver o mundo. E o pai cantava uma canção que falava: "Você é minha luz do sol. Você me faz feliz quando o céu está cinzento."

Então, Linda teve um bebê. Quando o bebê completou cinco meses, ela decidiu que era a hora de mostrá-lo aos avós. Por isso, ela, o marido e o filho foram ao Havaí. Linda estava angustiada. Será que o pai a receberia? Ela estava levando um menino no colo, que pouco tinha a ver com os antepassados chineses.

Como mãe, ela dizia para si mesma que se seu pai rejeitasse o neto, ela nunca mais voltaria.

Ao chegarem, as saudações foram educadas. O velho chinês olhou a criança sem nenhuma reação.Depois do jantar, o bebê foi acomodado em um berço em um quarto. Linda e o marido se recolheram para um descanso. De repente, ela acordou em sobressalto. Havia passado a hora do bebê mamar. Levantou-se. Nenhum som de choro. Pelo contrário, ela ouviu uma risada delicada de bebê.

Atravessou o corredor, chegou à sala. Seu filho de apenas cinco meses estava deitado em uma almofada, com as mãos e os pés em agitação alegre. Sorria para o rosto inclinado sobre ele. Um rosto asiático, bronzeado pelo sol. O avô dava a mamadeira para o netinho, enquanto lhe acariciava a barriguinha e cantava baixinho: "Você é minha luz do sol."

A criança conseguira, em breve tempo, conquistar o coração do avô e pôr fim a um afastamento tolo entre pai e filha. Hoje, o avô chinês caminha feliz, seguido por uma sombra saltitante de olhos cor de mel e cabelos encaracolados de quatro anos de idade.

artigo Meu pai virou vovô, de Seleções Reader's Digest, de junho de 2000.

25 abril 2016

O que é Virtual?


Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.


Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

— Tio, dá um trocado?

— Não tenho, menino.

— Só uma moedinha para comprar um pão.

— Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.

— Tio, pede para colocar margarina e queijo também?

Percebo que o menino tinha ficado ali.

— OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Aceno que está tudo bem.

— Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.

Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:

— Tio, o que está fazendo?

— Estou lendo uns e-mails.

— O que são e-mails?

— São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.

Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:

— É como se fosse uma carta, só que via Internet.

— Tio, você tem Internet?

— Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.

— O que é Internet, tio?

— É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.

— E o que é virtual, tio?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.

— Virtual é um local que imaginamos algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transforma- mos o mundo em quase como queríamos que fosse.

— Legal isso. Gostei!

— Mocinho, você entendeu o que é virtual?

— Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.

— Você tem computador?

— Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'.

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!



[Autor desconhecido]

24 abril 2016

O Bode na Maçonaria



Dentro dessa organização, muitos ainda desconhecem o apelido de bode. A origem desta denominação data do ano de 1808. 

Porém, para saber do seu significado temos necessidade de voltarmos no tempo. Por volta do III ano d.C. vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região. Procurando saber o porquê daquele monologo foi difícil obter resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação aquele fato. 

Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia, fora informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros. Fazia parte da cultura daquele povo, contar alguém da sua confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas, ficaria mais aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema.
Mas por que bode? Quis saber Paulo. É porque o bode é seu confidente. Como o bode nada fala, o confesso fica ainda mais seguro de que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino. 

A Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor - nesse ponto a história não conta se foi o Apóstolo que levou a ideia aos seus superiores da Igreja, o certo é que ela faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio, o povo passou a contar as suas faltas.

Voltemos em 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos 18 Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas as instituições que não governo ou a Igreja. Assim a Maçonaria que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados; proibida de se reunir.

 Porém, irmãos de fibra na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições. Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons. Chegando a ponto de um dos inquisidores dizerem a seguinte frase a seu superior: 

- “Senhor este pessoal (Maçons) parece BODE, por mais que eu flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra”. 

Assim, a partir desta frase, todos os Maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação: “BODE” - aquele que não fala, sabe guardar segredo.

Ir. Jose Castellani 
Pesquisa Ir.: Jaime Balbino de Oliveira 

23 abril 2016

Enchente


Em um ano de muitas tempestades, o nível do rio de uma pequena cidade subiu tanto que a água chegou a cobrir diversas casas. Nesse cenário, os bombeiros iam, de lancha, retirando pessoas das casas alagadas.

Um rapaz estava em cima do telhado de uma das casas, observando a água subir cada vez mais. Ao ver a situação em que ele se encontrava, os bombeiros se aproximaram com a lancha e pediram-lhe que saltasse:

- Venha, rapaz, entre na lancha! A sua casa em breve vai ser levada pela correnteza! Venha logo!

E o rapaz, que estava ajoelhado, orando, disse:

- Não, eu não vou. O Senhor vai me salvar... estou orando para isso!

Como havia muitas pessoas em perigo, os bombeiros foram resgatar outras vítimas. Então, um helicóptero, também do corpo de bombeiros, avistou o mesmo rapaz orando no telhado. Vendo que ele corria perigo, a equipe de resgate jogou a escada para que ele subisse e se livrasse do perigo. Mas, mais uma vez, o rapaz gritou:

- Não, eu não vou. O Senhor já vai me salvar... Diante dessa resposta, esses bombeiros também foram resgatar outras vítimas, já que o rapaz continuava resistindo à ajuda.

De repente, a enxurrada levou a casa e, junto, o rapaz que se encontrava no telhado; ele morreu. 

No céu, vendo que estava morto, o rapaz pediu para falar com Deus.

Levado à presença do Senhor, o rapaz perguntou-lhe, irritado:

- Senhor, me disseste que se eu tivesse uma fé do tamanho de um grão de mostarda eu poderia mover uma montanha... Minha fé era muito maior do que isso, Senhor, e me deixaste morrer! Mentiste para mim, Senhor! 

E Deus lhe respondeu:

- Meu filho, eu é que estou aborrecido com você. Como é que pode?! Eu fiz a minha parte: mandei uma lancha, mandei até um helicóptero, mas você não fez a sua parte! Deveria ter aceitado a ajuda de um dos dois! 
Afinal, você queria o quê? Que eu tivesse descido lá pessoalmente para te salvar?



[Do livro: Valores Humanos – a revolução necessária - Izabel Ribeiro]

22 abril 2016

Professor Criativo



Olhem o que um professor é capaz de fazer. O fato narrado abaixo é real e aconteceu em um curso de Engenharia da USJT (Univ. São Judas Tadeu), tornando-se logo uma das "lendas" da faculdade...

Na véspera de uma prova, 4 alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar. Faltaram a prova e então resolveram dar um "jeitinho".

Voltaram à USJT na terça, sendo que a prova havia ocorrido na segunda. Então dirigiram-se ao professor:

- Professor, fomos viajar, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas, e por conta disso tudo nos atrasamos, mas, gostaríamos de fazer a prova.

O professor, sempre compreensivo:

- Claros vocês podem fazer a prova hoje à tarde, após o almoço.

E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e se racharam de tanto estudar, na medida do possível. Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente e entregou a prova:

Primeira pergunta, valendo 1 ponto: algo sobre a Lei de Ohm.

Os quatro ficaram contentes, pois haviam visto algo sobre o assunto. Pensaram que a prova seria muito fácil e que haviam conseguido se "dar bem".

Segunda pergunta, valendo 9 pontos: "Qual pneu furou?"




[Autor desconhecido]

21 abril 2016

Conselhos de um Xamã



Deixe de querer saber o que vai acontecer, este querer serve apenas para te distrair do que já esta acontecendo.

Lembre-se, você só não consegue, quando acredita que não é capaz.

Acalme o seu pensar, escute seu coração, dance a musica que ele canta.

Só reclama da vida, quem não ama a sua própria vida .

Não fique esperando o momento certo chegar, agora é sempre uma boa hora de você ser quem é.

A única coisa que pode te atrapalhar, é o seu pensar, e o seu medo.

Deixe de buscar o que nunca foi perdido, deixe de sentir falta do que nunca se ausentou.

Apenas permaneça.

Verás que tudo se encontra neste aqui, sempre esteve.

Se aproprie, celebre, nada esta ausente, só o Real permanece, Aqui.

Se aproprie de si mesmo e seja!

Assim, Simples.



Sthan Xannia Tehuantepelt

20 abril 2016

Comece Consigo Mesmo.



As palavras a seguir foram escritas na tumba de um bispo anglicano (1100 d.C.), nas criptas da abadia de Westminster:

- Quando era jovem e livre, e minha imaginação não tinha limites, eu sonhava em mudar o mundo. Quando fiquei mais velho e mais sábio, descobri que o mundo não mudaria, e assim reduzi um pouco os limites de meu ideal e decidi mudar apenas meu país.
Porém este, também, parecia imutável. À medida que chegava ao crepúsculo, numa última e desesperada tentativa, procurei mudar apenas minha família, aqueles mais próximos a mim, mas, ai de mim, eles não mudaram.

E agora, deitado em meu leito de morte, subitamente percebo: se eu tivesse apenas mudado a mim mesmo primeiro, então, pelo exemplo, eu teria mudado minha família. Com sua inspiração e estímulo, eu poderia ter melhorado meu país e, quem sabe até, ter mudado o mundo.

[Autor desconhecido]

Extraído da obra “Canja de Galinha para a Alma” (Canfield J, Hansen MV).


19 abril 2016

O Combustível da Autoconfiança


Desarrumada e mal vestida, a menina negra, magra pela fome e não pela anorexia, desceu o morro carioca para tentar a sorte no programa de calouros de Ary Barroso. Era o momento áureo do rádio que, dos anos de 1930 a 1950, revelou grandes nomes da MPB.

Na fila de inscrições estavam lindas jovens bem vestidas e a menina favelada olhava para elas sem qualquer medo. Tinha apenas treze anos e já era mãe. Seu bebê estava doente e ela precisava fazer algo para conseguir algum dinheiro. No corredor os calouros aguardavam o chamado e em seguida entravam trêmulos.

- Elza Gomes da Conceição, sua vez! Após ouvir seu nome, a menina cruzou a porta do estúdio. Cerca de mil pessoas a aguardavam. O programa era o maior sucesso na época e no palco estava o grande Ary Barroso, autor de “Aquarela do Brasil”, pois ele próprio acompanhava os calouros ao piano.

Ao ver a menina com no máximo 35 quilos, subindo ao palco completamente desengonçada, usando uma roupa emprestada e ajustada com alfinetes para conter as sobras de pano, duas marias-chiquinhas, a platéia explodiu na risada.

O apresentador do programa arrumou os óculos e disse, friamente:

- Aproxime-se.

Ela ignorou as gargalhadas e foi até ele.

- O que você veio fazer aqui? – perguntou intrigado. 

- Ué, eu vim cantar. – disse ela com o ar mais inocente desse mundo. 

- Mas quem disse a você que você canta? 

- Eu! – falou com voz firme. 

- Diga-me uma coisa: de que planeta você veio? – questionou de forma ácida.

Ela respirou fundo e lhe respondeu:

- Eu vim do planeta-fome, seu Ary. Do mesmo planeta de onde o senhor veio.

Nesse momento o auditório se calou. Ali estava uma adolescente cheia de bravura, desafiando o grande ícone da música brasileira, lembrando que ele próprio também tivera um berço pobre e que havia passado por dificuldades acerbas como as que ela no momento passava.

Silencioso, Ary apontou para ela o microfone e deslizou seus dedos no teclado em seguida.

A menina então começou a cantar com a voz afinada e ao mesmo tempo arranhada, rouca, única, apresentando efeitos que ninguém jamais tinha ouvido.

No final, o mesmo público que riu tanto dela em sua chegada vibrou de emoção e encheu o estúdio de palmas. Ela as recebeu chorando, abraçada com Ary que, igualmente muito emocionado, disse:

- Senhoras e senhores, nesse exato momento acaba de nascer uma estrela.

Elza Soares, em seu livro “Cantando para não Enlouquecer”, narra sua história repleta de momentos de superação como esse. Podemos nos perguntar: o que faz alguém como ela chegar à vitória, vencendo obstáculos tidos com intransponíveis, atravessando oceanos de dificuldades?

O que move uma alma na direção da excelência em qualquer área, fazendo com que até mesmo os maiores problemas se transformem numa espécie de combustível para vôos mais altos?

O que produz essa certeza de que não há porque recuar e que vale seguir adiante?

Resposta: Auto-confiança.

Ter convicção do nosso próprio potencial e sentir que é possível fazer algo valioso, com aquilo que já guardamos em nosso interior, é uma espécie de elemento mágico que promove a química do sucesso.

Pessoas que não acreditam em si mesmas acabam não deixando aflorar o imenso poder que já possuem.

Mas aqueles que têm convicção das suas habilidades e talentos e que, por outro lado, também são capazes de reconhecer seus pontos fracos, se colocam no caminho do crescimento. Ter auto-conhecimento para perceber aquilo que podemos melhorar não significa sentir-se pequeno, fraco, mas representa poder de percepção para melhorar continuamente.

Portanto, se confiamos em nós mesmos podemos ver, com tranqüilidade, aquilo que nos falta, ao mesmo tempo em que notamos aquilo que já possuímos de bom.

Esse duplo foco nos desperta uma grande energia na busca dos nossos propósitos.

Como dizia Henry Ford: “Se você acredita que pode ou se você acredita que não pode, de qualquer jeito estará certo”.

Estou convicto de que a história de Elza Soares, essa fantástica cantora da nossa terra, pode ser inspiradora para você.

Ela nos lembra o quanto podemos fazer diferença no mundo quando, diante das dificuldades, respiramos fundo, acessamos recursos latentes e seguimos firmemente na direção dos nossos sonhos.

Vou dizer algo para você e espero que lembre sempre disso. Duas palavras bem simples mas que expõe a minha crença de que você tem grande força interior, bem como o meu desejo de que mostre ao mundo seu potencial.

As palavras são: Você pode!



[Autor Kau Mascarenhas]

18 abril 2016

De Maior Valor



Um amigo meu, pai de duas filhas, admite que não se importa de amedrontar um pouco os rapazes.

Suas filhas sentem-se constrangidas quando ele pede para ficar alguns momentos a sós com os namorados delas, e acham que seria melhor ele transmitir aos rapazes a idéia de que é um pai legal, não um pai mesquinho e protetor. Mas existem certas situações que merecem um tratamento meio desajeitado. Os rapazes podem pensar que esse tipo de pai é super protetor.

Contudo, para os pais que têm filhas, isso não existe.

Outro amigo meu usa a analogia de um carro esportivo para expressar-se com mais precisão. Ele diz ao rapaz:

- Se eu tivesse um carro esportivo raro e caríssimo e lhe emprestasse para dar uma voltinha com ele, você tomaria muito cuidado, não é verdade?

- Oh, claro que sim, senhor.

- E você cuidaria melhor dele do que do seu próprio carro, certo?

- Sim, senhor.

- Eu também não deveria imaginar que você sairia por aí cantando pneus, deveria?

- Não, senhor.

- Então, deixe-me dizer uma coisa, de homem para homem, para que as coisas fiquem bem claras. Para mim, minha filha tem um valor infinitamente maior que qualquer carro. Você entende aonde quero chegar? Eu a estou emprestando a você por algumas horas, e não gostaria de saber que ela foi tratada com menos cuidado ou respeito que recebe de mim. Sou responsável por ela. É minha filha. Eu estou confiando em você. E essa confiança não admite uma segunda chance. Entendeu?

A essa altura, o rapaz deve estar imaginando por que não escolheu outra garota para sair. Ele se limita a balançar a cabeça positivamente, incapaz de falar. Na maioria das vezes, leva a moça para casa antes do horário prometido.

Talvez a filha se queixe da atitude do pai, mas, no fundo, sente-se amada e querida, e você pode ter certeza de que ela se casará com um homem que a tratará dessa maneira.



[Autor Jerry B. Jenkins]

17 abril 2016

Moisés, Jesus e um Velhinho


Moisés, Jesus e um velhinho jogavam golfe.

Moisés colocou a bola no pino e deu a primeira tacada. A bola caiu num lago. Moisés chegou à beira do lago e, levantando o taco, as águas se abriram. Ele entrou, deu a segunda tacada e a bola foi diretamente para o buraco.

Na vez de Jesus jogar, a bola também foi parar no lago, mas caiu sobre a folha de uma vitória-régia. Então, Jesus caminhou sobre as águas, foi até a planta e deu a segunda tacada, mandando a bola para o buraco.

Aí foi a vez do velhinho.

Ele, todo trêmulo, preparou-se para dar a tacada inicial. A bola voou para fora do clube e começou a cair na direção de um riacho. Nesse instante, um sapo a engoliu. Pouco depois, uma cobra engoliu o sapo e foi agarrada por um gavião. A ave apertou demais a cobra, que regurgitou o sapo ao sobrevoar o campo de golfe. Ao cair, o sapo bateu com o peito no chão e cuspiu a bola diretamente para o buraco.

Ao acompanhar toda aquela cena, Moisés olha para Jesus e diz:

- Cara, é muito chato jogar golfe com o teu Pai...

Moral da história"Quando as coisas não acontecem do jeito que a gente quer, é porque vão acontecer melhor do que a gente pensa."

16 abril 2016

Persevere


Quando tinha vinte anos, Aristóteles Onassis morou na Argentina. Ele trabalhava à noite como operador de uma empresa telefônica, e ficava com os dias livres para atividades mais proveitosas. Ávido por ganhar mais dinheiro, interessou-se pela possibilidade de importar e vender tabaco oriental para os fabricantes de cigarros locais. 

Nessa época, a Argentina estava importando grande quantidade de tabaco de Cuba e do Brasil, mas apenas algumas marcas orientais. Com o tempo, conseguiu persuadir seu pai a lhe mandar algumas amostras da melhor folha cultivada no Peloponeso.

Quando a remessa finalmente chegou, Onassis percorreu todos os fabricantes de cigarros de Buenos Aires. Não conseguiu nada de imediato. Deixou as amostras na esperança de que um dos compradores o chamasse, mas ninguém telefonou. Como não havia conseguido um encontro com nenhum dos responsáveis pelas decisões, o jovem Onassis escolheu como alvo Juan Gaona, diretor-administrativo de uma das maiores indústrias de cigarros do país. 

Passava os dias do lado de fora da sala de Gaona, esperando silenciosa e esperançosamente por ele. Dia sim, dia não, ia até a porta da casa de Gaona, e o esperava na volta do trabalho. Catorze dias depois, Gaona sucumbiu. Pediu à sua secretária que descobrisse quem era aquele rapaz e por que o estava perseguindo.

Quando Gaona pediu que entrasse em sua sala, Onassis explicou que queria apenas vender tabaco oriental de primeira classe para sua empresa. Irritado e aliviado, Gaona mandou que procurasse o escritório de compra da empresa, e Onassis finalmente alcançou sua meta – um exame sério de suas amostras.

Como a qualidade era realmente excelente, os compradores de Gaona encomendaram imediatamente US$ 10 mil em folhas de tabaco. Onassis cobrou do pai a comissão padrão de cinco por cento. Muitas vezes Onassis disse que esses US$ 500 foram a base de sua fortuna.

[Autor Jack Canfield e Mark Victor Hansen]

15 abril 2016

Orgulho

Eu e minha família estávamos de férias em Sedona, Arizona, e resolvemos andar a cavalo. Telefonei para o local onde se alugavam os cavalos para fazer uma reserva e pedir informações sobre como chegar até lá. As informações que me deram foram vagas, mas achei que poderia encontrar o local. No caminho, minha mulher me perguntou se não poderíamos ligar para lá e pedir maiores detalhes. Pensei que se eu fizesse isso iria parecer incapaz e incompetente, por isso disse que não e segui em frente.

À medida que percorríamos quilômetros e mais quilômetros, minha esposa ficava cada vez mais agitada e chateada. Continuei a procurar um determinado sinal na estrada que havia anotado. Finalmente encontrei-o no lado esquerdo, e não no lado direito da estrada, conforme me tinham ensinado. Àquela altura, "concordei" em parar em uma pequena construção, e perguntei a um homem que estava trabalhando. Ele não entendeu uma palavra do que eu disse, pois falava espanhol e eu só falava inglês. Mas de alguma forma nós nos comunicamos ao proferirmos "cavalos, cavalos", e ele fez sinal para que eu seguisse em frente.

Nesse momento, minha esposa já estava furiosa.

- Por que você não perguntou aos donos do estábulo?

Eu estava começando a duvidar seriamente se encontraria o local e já estávamos atrasados. Peguei uma estradinha de terra que parecia promissora e... achei o lugar!

- Viu? – disse à minha esposa. – Você é que não teve fé em mim. Eu sabia o tempo todo que ia encontrar!

Portanto, eu estava certo, mas qual foi o preço que tive que pagar por estar certo? A bela manhã com minha família tinha se transformado em um tenso pesadelo. Minha esposa estava zangada comigo e meus filhos choravam. A coisa mais fácil seria ter dito aos proprietários do lugar, quando fiz a reserva: "Por favor, será que podem me explicar melhor como chegar até aí?" Eu teria tido que admitir que precisava de mais ajuda do que já tinha tido, mas meu orgulho não deixou.

[Autor Mark Victor Hansen]

14 abril 2016

As Quatro Regras da Raiva

Uma funcionária sofria muitas vezes com o nervosismo do seu chefe. Ao menor erro cometido, seu chefe se irritava e soltava altos brados contra ela. O temperamento da moça também não era fácil. Assim que ela ouvia os gritos do chefe, ela berrava de volta e ambos acabavam sempre vivendo dentro desse clima de tensão e raiva no trabalho. Por ser ela funcionária pública efetiva, não podia ser demitida pelo chefe. Certo dia, a moça se cansou de tudo isso, chorou muito e desejou parar de viver esse inferno. Uma colega de trabalho, vendo seu desespero, foi consolá-la. 

A moça disse: 

- Não aguento mais viver assim. Ele sempre me ofende na frente dos outros, e eu não aguento e acabo gritando de volta. Mas tudo isso está me fazendo muito mal. Não sei mais o que fazer para não sofrer com isso. 

- Posso te dar uma palavra sobre essa situação? Perguntou a colega de trabalho. 

- Sim, claro. Já cheguei ao meu limite e quero que isso pare. – disse a moça. 

- Meu avô me ensinava, desde a infância, o que ele chamava de as “Quatro regras da raiva”. E essas quatro regras servem para quase todos os casos parecidos com o seu. 

– Quatro regras? Perguntou a moça. – Que regras seriam essas? 

A colega respondeu: 

- Preste atenção, pois você pode levar isso para toda a sua vida, assim como eu levei. 

- A primeira regra é bem simples e ela diz o seguinte: a raiva bloqueia teu raciocínio. Isso significa que os momentos em que explodimos de raiva são os piores para se tomar decisões, posto que as fortes emoções restringem nossa razão e nosso pensamento. Sempre que você fica com raiva e explode em intenso fervor emocional, você pode fazer escolhas que depois farão você se arrepender, e que podem até te prejudicar. Muitas vezes, tomados que estamos pela fúria, escolhemos, dizemos ou fazemos coisas que depois, na tranquilidade, pensamos “se estivesse calmo, não faria aquilo”. A trajetória de uma vida inteira pode ser modificada e destruída em apenas alguns minutos de ira. A moça ouvia atentamente… 

- A segunda regra diz o seguinte: Quem está nervoso muitas vezes deseja que outros fiquem como ele, ou seja, todos aqueles que estão num estado de tensão, nervosismo e que vivem nas trevas da raiva e irritação compulsiva desejam que outras pessoas compartilhem do mesmo sentimento e descontrole. Quem está na escuridão quer que todos estejam na escuridão, pois assim eles sentem que há muitas pessoas como ele, e não se sente tão mal caso fossem os únicos. Apagar a luz dos outros é a melhor maneira de não enxergar sua própria escuridão. Em outras palavras, quem está na lama, quase sempre quer trazer os outros para a lama, pois assim eles têm “companhia”. O raivoso deseja ter alguém com quem compartilhar sua raiva, pois a raiva sozinha perde seu “combustível”, e muito frequentemente se transforma em depressão. Toda raiva não compartilha com outros acaba tornando o raivoso depressivo, com sentimentos de carência e vazio. 

- E a terceira regra? Perguntou a moça, agora bem mais interessada.

- A terceira regra é a seguinte: Não dê poder a quem não tem. Quando você se deixa levar pelos berros e deixa a raiva te dominar, você está dando poder àquela pessoa e permitindo a ela te desestabilizar. Mas esse poder de desorganização emocional é a própria pessoa que confere ao outro. No momento em que você pára de dar poder a quem não tem poder, você não mais se envolve pelas ofensas e agressões alheias e passa a ser mais neutro e menos vulnerável. 

- E por fim, a quarta regra também é simples, mas pode parecer difícil de ser aplicada para algumas pessoas: Não responda a uma ofensa, apenas silencie. Quando, por exemplo, algum parente está envolto pela ira e começa a agredir a todos, a melhor resposta é o silêncio. Por que o silêncio? Pois é apenas no silêncio que aquela pessoa conseguirá ouvir a si mesma. Ela passará a ouvir seus próprios gritos, suas ofensas, suas agressões e terá a chance de se perceber, se sentir e se tocar do mal que está emanando. A quarta regra diz: apenas silencie e deixe a pessoa ouvir a si mesma. No momento em que não correspondemos a raiva, a pessoa perde sua energia, fica sozinha e passa a perceber a si mesma, e assim, ela pode enxergar-se como é. Dessa forma, a chance dela se ver e procurar se modificar é bem maior. 

Após ouvir estas explicações, a moça sentiu uma grande transformação interior, e não se deixou mais levar pela raiva. 



[Autor: Hugo Lapa]