Um certo mágico estava apresentando sua arte ao sultão e já tinha conquistado o entusiasmo da assistência. O próprio sultão estava profundamente admirado e exclamou:
- "Deus meu, acudi-me! Que milagre, que espanto!".
Mas seu vizir fê-lo parar para pensar ao dizer:
- "Vossa Alteza, nenhuma maestria cai do céu. A arte do mágico é resultado de seu esforço e sua prática."
O sultão franziu a testa. O comentário do vizir tinha estragado o prazer que estava sentindo ao contemplar os atos do mágico.
- "Ó, homem ingrato! Como podes pretender que tal habilidade seja fruto da prática? Pelo contrário, como eu afirmei, ou tens talento, ou não tens."
Então olhou para o vizir com desprezo e gritou:
- "Tu não tens nenhum talento mesmo. Fora daqui! Para o calabouço! Lá poderás ponderar minhas palavras. E, para que não te sintas solitário, para que tenhas uma companhia da tua laia, compartilharás a cela com um bezerro."
Desde o primeiro dia de aprisionamento, o vizir começou a seguinte prática: carregar nos braços o bezerro e subir alonga escada do calabouço. Os meses passaram. O bezerro tornou-se um avantajado novilho e, com a prática diária, a força do vizir cresceu também grandemente.
Um dia, o sultão recordou do prisioneiro na masmorra. Mandou que o trouxessem a ele. Quando deitou os olhos sobre o vizir, foi dominado pelo espanto.
- "Deus meu, acudi-me! Que milagre, que espanto!"
O vizir carregando o novilho nos braços esticados, respondeu com as mesmas palavras que da outra vez:
- "Vossa Alteza, nenhuma maestria cai do céu. Em vossa misericórdia, concedeste-me esse animal. Minha força é resultado de meu esforço e minha prática."
[Autor Desconhecido]

Nenhum comentário:
Postar um comentário